Copom em 4/11: Selic em 13,75% e o que a PME faz
O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia a nova Selic na quarta-feira, 4 de novembro, às 18h30. A taxa básica está em 13,75% ao ano e a aposta do mercado é de mais um corte de 0,25 ponto. Para o dono de uma pequena empresa, a pergunta útil não é "quanto vai cair", e sim o que decidir antes e depois do anúncio.
O que aconteceu
A decisão é o ponto alto de uma semana curta no Brasil, com feriado de Finados na segunda-feira (2). Segundo a agenda do Money Times, o Boletim Focus sai na terça (3) e o Caged, com os dados de vagas formais, na própria quarta (4). Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) sai na sexta (6) e também pode mexer com câmbio e juros.
Os números de partida, de acordo com o Rankia:
- O Copom começou 2026 com a Selic em 15,00% e manteve a taxa em janeiro.
- A partir de março, cortou 0,25 ponto em cada reunião (março, abril, junho, agosto e setembro), chegando a 13,75% em 16 de setembro.
- No Focus de 13 de outubro, a mediana do mercado apontava 13,50% em novembro e 13,25% em dezembro. A reunião de dezembro será em 8 e 9.
- A mesma pesquisa projetava IPCA de 5,22% em 2026, acima do teto da meta (4,5%).
As projeções são de outubro e podem ter mudado. Confira o Focus de terça-feira (3) antes de tirar conclusões. Também vale lembrar que o corte é uma expectativa, não uma decisão: o Copom pode surpreender.
Gráfico de barras com a Selic em 2026: 15,00% em janeiro, caindo 0,25 ponto por reunião até 13,75% em setembro, com projeção de 13,50% para novembro.
Por que isso importa para a sua empresa
A Selic é a base do preço do dinheiro. Ela influencia o juro do capital de giro, do desconto de duplicatas, do cartão corporativo e o rendimento do caixa parado. Mas o corte esperado é pequeno, e o que a sua empresa paga depende de Selic + spread do banco. O spread é o que você mais consegue mexer.
Veja uma conta simplificada, só com a parte da Selic (hipótese ilustrativa, sem impostos e sem tarifas):
| Cenário (valor de R$ 200 mil por 12 meses) | Selic 13,75% | Selic 13,50% | Diferença |
| Dívida com juro igual à Selic | R$ 27.500 | R$ 27.000 | R$ 500 a menos |
| Dívida com Selic + 8 pontos de spread | R$ 43.500 | R$ 43.000 | R$ 500 a menos |
| Aplicação rendendo 100% da Selic | R$ 27.500 | R$ 27.000 | R$ 500 a menos |
Em todos os casos o efeito do corte de 0,25 ponto sobre R$ 200 mil é de R$ 500 por ano (0,25% de R$ 200 mil). Já o spread de 8 pontos, nesse exemplo, pesa R$ 16 mil por ano, 32 vezes mais. Se quiser refazer a conta com os seus valores, use a calculadora de juros compostos.
O contexto maior também pede cautela. Em entrevista ao InfoMoney, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola disse esperar juros ainda em dois dígitos pelo menos até 2028, por causa do desequilíbrio fiscal e do prêmio de risco. É uma opinião de um economista, não uma previsão oficial, mas serve de alerta: não monte o planejamento de 2027 contando com crédito barato.
O que fazer agora
- Liste todas as dívidas com taxa, prazo e indexador. Separe as pré-fixadas (não mudam com o corte) das pós-fixadas (acompanham o CDI e a Selic).
- Renegocie o spread antes de esperar o corte. Leve duas propostas concorrentes ao seu banco. Cada ponto de spread vale quatro cortes de 0,25.
- Priorize quitar a dívida mais cara antes de aplicar o caixa. Se a sua dívida custa Selic + 8 pontos e a aplicação rende perto de 100% da Selic, a diferença trabalha contra você.
- Revise o preço de venda e a margem. Se você financia clientes, o juro embutido no parcelamento precisa cobrir o seu custo do dinheiro. Teste na calculadora de margem de lucro.
- Projete o caixa com a Selic parada. Faça o cenário de 13,75% e outro de 13,25% e veja se a empresa fecha nos dois. Um fluxo de caixa projetado mostra rápido onde falta fôlego.
Regra prática: faça a renegociação antes de tomar novo crédito, porque o banco precifica o seu risco no momento do pedido, e não a Selic do futuro. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação financeira personalizada.
O que ainda não sabemos
- Se o Copom vai cortar 0,25 ponto, mais que isso, ou pausar. A projeção usada aqui é do Focus de 13 de outubro.
- Qual será o tom do comunicado sobre os próximos passos. Segundo o Money Times, o mercado acompanha a avaliação do comitê sobre inflação, atividade e expectativas.
- Como o câmbio, a inflação acima da meta e o cenário fiscal vão influenciar as reuniões de dezembro e de janeiro de 2027.
- Se os bancos vão repassar o corte ao crédito para empresas, e em que velocidade.
Fontes consultadas
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